10 de setembro de 2020

Analógico

Fraco, doce.

Forte, amargo.

Como você pode descrever as pessoas que você ama?

Como um café.

E como você gosta do seu café?

Eu disse que você não tinha coragem

Oh, tola menina!

Eis a grande corajosa que sou.

Tocou ela a campainha e saiu correndo,

nem deu tempo de chamar seu amor!

Livre e Leve como o vento,

Seu coração fora colado com esparadrapos e envernizado

Se amar as pessoas é pecado,

Peco todos os dias por amar demais

E desejar demais.

E eu amo. 

Carta aberta para todos os meus sonhos de paixão.

Todos os que eu vivo, os que eu sinto,

É o que me faz encarar os dias com uma dose de delírio.


 

2 de setembro de 2020

Violação (Parte II)

Haviam muitas sirenes
Luzes vermelhas espelhadas no asfalto molhado,
O que aconteceu, de fato?
Passei a mão sobre meus cabelos úmidos
Fora a chuva, lágrimas..?
Olhei pro céu e ainda era dia, quase noite
Me chamavam, Me tocaram
Pude ouvir até gritos chamando meu nome
Nada foi meu a muito tempo, 
Nem minha pele, nem meus pensamentos, 
Sequer meus movimentos.
Uma vida de intervenções,
Tive controle de poucas situações.
Eu desejei que tudo estivesse acabado ali. 
Por infelicidade abri meus olhos,
Respirei fundo.
Vida há em mim
Seguirei mais alguns anos de luto.
Estão satisfeitos pela bagunça deixada?
Meu corpo lançado ao chão, 
Fragmentos de todos os meus sonhos pela calçada.