8 de agosto de 2015


Alla Deriva

Coisas que não ousara dizer.
Pelas palavras digo. Em alto e bom som repito:
Onde está o anjo perdido?
Livrou-se de toda a culpa e ainda sim sente-se só
Mas atormentado e solto que o complicado nó
Dos temores, desses eu conheço bem.
Porque sem rumo estive, Sem rumo me encontrei.
Mas a palavra resiste, ainda insiste
Em me perseguir pelos cantos da rua. 
Buscando os olhares que refletem a lua nua
Embaraçoso, talvez.
Rebelde como um criminoso, em passo leve e morto.

Aonde me encontro?

Coisas que preferi não escutar
Eram como uma canção de ninar
E livrei-me de toda e qualquer sorte, 
Onde está a perdição, Anjo?
Quem poderá lutar contra esses dias, que a minha alma fere e angustia?
''Non, Je Ne Regrette Rien !''

E adormeceu, ouvindo aquela canção.
E de nada se lembrou,quando ao dia veio
Viveu pelo Amor, Como as flores dos canteiros.
E a vida passou, como um relógio sem ponteiros.

27 de julho de 2015


Destino Ocupado

É um dia atípico, uma noite fria.
Ele está sentado em uma das mesas do canto, pouco iluminadas do bar.
Já passam da meia-noite e os seus olhos a procuravam por toda parte.
Ela chega e sorrateiramente se aproxima, encosta os lábios quentes no rosto dele
enquanto sente que ele inspira seu perfume.
Os olhos profundos a encaram, como se ela estivesse nua a meia-luz.

- Não posso mais te ver..
- Não pode, mas quer. É isso que importa.

Ele a segura pelo braço e a impede de ir embora. Puxa abruptamente o corpo dela junto ao seu.
Ela encosta sua boca perto do ouvido dele e levemente brinca com o seu lóbulo,
Com a ponta da língua.

Ele suspira Fundo, se levanta da mesa e diz :

- Siga-me.

Ela entra em seu carro. Durante o trajeto nenhuma palavra. Mal podiam sentir a respiração um do outro. 

- Para onde está me levando?

- Do inferno ao paraíso. Somos anjos perdidos em um jardim do mal. Você quer ser amada e eu também... Não hesite em me deixar te levar.

Chegaram ao Vegas, onde os quartos são silenciosos e as luzes são escassas.
Ele pede que ela o espere deitada, no centro da cama. Parou ele em frente a ela, com sua calça jeans surrada e sua camisa semi-aberta. Ela delicadamente abre botão por botão e o observa. Seus olhos ficam atentos a cada movimento dele.

Ele afasta uma mecha do seu cabelo,que cobria seu rosto e segura firmemente seu queixo, sugando docemente seus lábios, trêmulos por não saber o que esperar.
Ela passa seus braços em volta da sua nuca e encara os olhos dele diante da pouca luz. Aqueles olhos pareciam ter a cor da borra de café, onde dizem ser possível ver o destino.
Ele tira a alça da blusa dela com os dentes, suavemente. Sem pressa. Porque não sabe do dia de amanhã.

Ela sussurra em meio a escuridão:

- O que você quer de mim..

Os lábios dele vão descendo até o meio do abdômen dela...Enquanto suas mãos seguram seus quadris.
Ele a puxa para alcançar sua boca e diz:

- Quero mais que o seu corpo... Eu quero possuir tudo o que te pertença. A começar por esta noite...

Então ela abre o zíper do seu jeans, tirando o resto das suas roupas...Ele se levanta, senta em uma cadeira próxima ao espelho e a pede para ficar em seu colo.
As pernas dela abraçam a cadeira enquanto suas mãos seguram seu rosto outra vez..
Devagar ela vai sentindo, seu corpo sendo empurrado contra o dele. Beijando seus lábios sinuosos.
Ele penetra seu corpo  e ela agarra seus braços com força, tentando resistir a ele.
Ele toma seu corpo e mordisca os seios dela, e suas costas ficam suadas até o êxtase.
A respiração fica ofegante. Ele a deita na cama, e ela devagarinho vai perdendo a lucidez..
Ele invade o seu corpo, sem permissão alguma. 

E depois das horas passadas, ela se vira, fixa os olhos nos seus e diz:

- Se o paraíso for tão bom quanto isso, que me levem desse mundo agora...

- E a partir de hoje, tenho pleno ódio ao destino, que me puseste você no caminho, ficaria contigo, estaria ao seu lado, Quão bom seria se o seu destino já não estivesse ocupado, contudo minha vida é esta sorte... Até que me chegue o dia da morte. Mas eternizo-te em minhas memórias e te faço minha, aqui dentro.