16 de setembro de 2014

Feliz 1998


Que bagunça foi essa que fiz na minha vida ? 
Me desculpe mãe... Eu vou por tudo no lugar. Prometo.
Só não sei quando e nem como.
Mas as coisas estão indo bem.
 Já pus os produtos do mercado derrubados de volta as prateleiras, E até macarrão já comi. 
E farei a faculdade, e haverão muitas outras cartas do futuro pra você,mãe.
Você sempre soube quem eu iria ser. Eu sou seu espelho, Um pouco quebrado e sem uma bela moldura, Fique tranquila, já estou arrumando a bagunça. 
O futuro é muito diferente do que pensávamos. 
E não é que me tornei escritora mesmo ? 
Olha mãe ! Estou te enviando junto a essa carta, nossas fotos na Indonésia. Eu estou longe. Mas sempre voltarei pra tentar consertar e arrumar tudo aquilo que estiver fora do lugar. 
Do que eu sentirei falta nesse lugar chamado futuro : Do seu café, Dos seus olhos e do cheiro da sua pele. Perdendo isso, perderei tudo. E então teria eu que começar a escrever cartas para o futuro. 
Eu te deixarei, Mas proibo-te de me deixar ! 

Da sua filha cabeça oca,
Com Amor, Cafeína e uma pitada de loucura, 
Kaw.



12 de setembro de 2014

Sessão Baudelaire

Ah grande poeta... Se soubesse o que tuas palavras me causam, e o que me inspira. 


Trecho de '' Hino á Beleza''

''Vens tu do céu profundo ou sais do precipício,
Beleza? Teu olhar, divino mas daninho,
Confusamente verte o bem e o malefício,
E pode-se por isso comparar-te ao vinho.

Que venhas lá do céu ou do inferno, que importa,
Beleza! Ó monstro ingênuo, gigantesco e horrendo!
Se teu olhar, teu riso, teus pés me abrem a porta
De um infinito que amo e que jamais desvendo?

De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,
Que importa, se é quem fazes - fada de olhos suaves,
Ó rainha de luz, perfume e ritmo cheia! -
Mais humano o universo e as horas menos graves?''

11 de setembro de 2014


O Céu do Excesso

“Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser."
                                                                                                  Bernardo Soares



Atento-me aos detalhes dos meus versos,
Outrora belos pelo que me invade,
Antes fosse muito tarde
Viver ou morrer sobre teu contentamento.
Passam-se as horas e os dias,
Peco, pelas falhas me perco
Onde os ventos já anunciavam o desespero
Eis sob minhas mãos o céu do excesso
Dos caminhos contrários, Dos corações incrédulos
E não pude notar a diferença que me fazia, Estar caminhando pelo acaso,
Estar sobre os inocentes olhos de uma menina,
Tropeçarei sobre minhas próprias palavras,
Em busca dos sentidos desta alma,
Como as linhas que desenham minha palma,
Me encontro nos olhos teus,
Onde a beleza é tamanha,
Sua voz docemente me chama,
E é este o céu que me invade, é este o céu dos meus medos..